Marketing
Como atrair os primeiros 100 usuários do seu projeto ou SaaS
Como conseguir os primeiros 100 usuários para um projeto paralelo ou SaaS: ache onde as pessoas já conversam, aborde cada uma e meça ativação, não cadastros.

Seus primeiros 100 usuários quase certamente não virão de um único truque genial de crescimento. Eles vêm de muitos passos pequenos e manuais: escolher um grupo restrito de pessoas com um problema real, encontrar os lugares onde elas já conversam, abordar uma pessoa de cada vez, colocar seu produto onde elas procuram e garantir que cada novo usuário realmente tire valor dele. No começo é lento, e fica mais rápido à medida que você aprende o que funciona.
O objetivo não são 100 cadastros. São 100 pessoas que chegaram ao momento em que seu produto as ajudou. Cem contas criadas por visitantes curiosos que nunca voltaram ensinam menos do que vinte pessoas que usam o produto toda semana e dizem o que está faltando.
Veja a seguir um caminho prático para chegar lá com um projeto paralelo ou um pequeno SaaS, sem verba de marketing e sem fazer spam com ninguém.
Por que os primeiros 100 usuários são diferentes
Os primeiros usuários não são, principalmente, fonte de receita. São a sua melhor fonte de informação. Eles mostram quem realmente precisa do produto, que palavras usam para descrever o problema, onde travam e pelo que pagariam.
Isso muda a forma como você deve trabalhar. Você pode se dar ao luxo de passar uma hora com cada usuário, porque eles são poucos. Pode mudar o produto toda semana, porque ninguém depende dele ainda. E pode escolher exatamente quais usuários quer, em vez de aceitar quem aparecer.
Comece com uma definição restrita do seu usuário
“Pequenas empresas” ou “criadores de conteúdo” é amplo demais para orientar qualquer ação. Escreva uma frase que nomeie três coisas: um tipo específico de pessoa, a situação específica em que ela está e a gambiarra que ela usa hoje.
Por exemplo: tradutores freelancers que cobram clientes em várias moedas e hoje montam cada fatura à mão numa planilha. Uma frase assim diz onde procurar (fóruns e grupos de tradutores), o que dizer (faturas em várias moedas, sem planilha) e quem ignorar por enquanto.
Você pode ampliar o público depois. Um começo restrito facilita todos os outros passos deste guia.
Faça coisas que não escalam
O ensaio de Paul Graham Do Things That Don't Scale tornou esse conselho famoso entre fundadores, e ele continua valendo. No início, faça à mão o que mais tarde você vai automatizar:
- Faça o onboarding dos usuários pessoalmente, numa ligação rápida ou por chat.
- Configure a conta deles, importe os dados ou monte o primeiro projeto por eles.
- Envie e-mails de boas-vindas escritos por você mesmo, do seu próprio endereço.
- Corrija no mesmo dia um bug relatado e avise quem o relatou.
- Se uma parte do produto ainda não estiver pronta, faça essa parte manualmente por trás de uma interface simples.
Não se trata só de ser simpático. Observar pessoas reais usando seu produto é o jeito mais rápido de encontrar as telas confusas, as funcionalidades que faltam e o momento em que elas decidem que o produto vale o tempo delas.
Descubra onde seus usuários já conversam
Seus usuários já estão discutindo o problema deles em algum lugar. Seu trabalho é encontrar esses lugares antes de publicar qualquer coisa.
Lugares que vale a pena conferir:
- Subreddits e fóruns da profissão ou do hobby deles.
- Comunidades no Discord e no Slack, inclusive as pagas.
- Grupos no Facebook e no LinkedIn.
- Sites de perguntas e respostas e as issues no GitHub de ferramentas parecidas com a sua.
- Comentários em tutoriais e vídeos do seu nicho.
- Avaliações de produtos concorrentes, onde as reclamações apontam necessidades não atendidas.
- Encontros locais, associações profissionais e newsletters de nicho.
Um jeito simples de começar é pesquisar o próprio problema junto com palavras como “reddit”, “fórum” ou “recomendação”. Leia as discussões. Anote as frases exatas que as pessoas usam, as ferramentas que mencionam e as perguntas que sempre voltam.
Mantenha uma planilha com cada lugar, as regras dele sobre autopromoção e o que as pessoas perguntam ali. Ela vira o seu mapa para abordagem, conteúdo e lançamentos.
Abordagem direta, feita com respeito
A abordagem direta é o jeito mais confiável de conseguir seus primeiros usuários, e também o mais fácil de errar. A diferença entre ser útil e ser spam está principalmente na relevância e no tom.
- Encontre pessoas que descreveram o problema em público. Um post num fórum pedindo uma ferramenta, uma reclamação sobre uma gambiarra, uma pergunta numa comunidade.
- Ajude primeiro, em público. Responda direito à pergunta. Mencione seu produto só se fizer sentido e diga que foi você que o criou.
- Mantenha as mensagens privadas curtas e específicas. Faça referência ao que a pessoa escreveu, explique em uma ou duas frases o que você criou e peça uma coisa pequena, como testar e contar o que ficou confuso.
- Ofereça algo concreto. Acesso gratuito durante o período inicial, ajuda com a configuração ou uma funcionalidade feita para o caso dela.
- Faça um follow-up uma vez e pare. Silêncio também é resposta.
Uma mensagem pode ser simples assim: “Vi seu post sobre o malabarismo com faturas em três moedas. Criei uma pequena ferramenta exatamente para isso. Você testaria com uma fatura e me diria o que ficou confuso? Posso configurar tudo para você.”
Não envie mensagens frias em massa, não faça scraping de endereços de e-mail e respeite as regras de cada plataforma, assim como as leis antispam e de privacidade que se aplicam a você e às pessoas que você contata.
Construa em público
Construir em público significa compartilhar seu progresso abertamente: o que você lançou, o que aprendeu, o que deu errado e os números que você se sentir à vontade para divulgar. As pessoas acompanham histórias, e um fluxo constante de atualizações honestas no X, no LinkedIn, no Indie Hackers ou no seu próprio blog forma, aos poucos, um público que se importa com o produto.
Duas ressalvas. Primeiro, construir em público costuma atrair mais outros criadores do que clientes, então escreva também sobre o problema dos seus usuários, não só sobre a sua própria jornada. Segundo, os resultados se acumulam devagar. Trate isso como algo que funciona junto com a abordagem direta, não no lugar dela.
Conteúdo que responde a perguntas reais
As perguntas que você reuniu ao pesquisar as comunidades são um plano de conteúdo pronto. Escolha as mais comuns e escreva a melhor resposta possível: um guia, um vídeo curto, um modelo, um checklist ou uma pequena ferramenta gratuita.
Mencione seu produto onde ele realmente resolve o problema e faça o conteúdo ser útil mesmo para leitores que nunca vão se cadastrar. Depois você pode compartilhá-lo nas comunidades onde a pergunta surgiu, para que ele responda à próxima pessoa que perguntar. Com o tempo, ele também pode trazer visitantes pela busca, embora, para um site novo, isso normalmente leve meses.
Use plataformas de lançamento para uma onda de primeiros usuários
Plataformas de lançamento e diretórios podem trazer muitos primeiros visitantes em pouco tempo. Product Hunt, Show HN no Hacker News, Indie Hackers, diretórios por categoria e sites de vitrine têm públicos que gostam de experimentar novidades.
Trate um lançamento como um pico a ser convertido, não como um resultado em si. Antes de lançar, garanta que novos visitantes consigam testar o produto rapidamente, que você saiba qual etapa conta como ativação e que exista um jeito fácil de enviar feedback. Se você vai lançar um app, nosso guia sobre como lançar um aplicativo mobile cobre as etapas específicas das lojas.
Os sites de vitrine são um complemento pequeno e permanente a isso. No One Dollar Planet, por exemplo, você pode colocar seu projeto no planeta por US$ 1, e ele fica lá para as pessoas que exploram o planeta e navegam pelo catálogo de projetos. Isso não substitui a abordagem direta, mas é mais um lugar onde pessoas curiosas podem encontrar o seu trabalho.
Parcerias e integrações
Outros produtos e outras pessoas já têm a atenção dos seus usuários. Trabalhar com eles costuma ser mais rápido do que construir um público do zero.
- Integrações. Se seus usuários dependem de uma ferramenta, integre-se a ela e liste seu produto no marketplace ou no diretório de integrações dela. Quem navega por esses diretórios já está procurando complementos.
- Newsletters, criadores de conteúdo e donos de comunidades. Ofereça algo útil ao público deles: acesso gratuito, um tutorial, um post como convidado. Pergunte o que ajudaria essas pessoas, em vez de pedir uma divulgação.
- Produtos complementares. Uma ferramenta que atende os mesmos usuários sem concorrer com você pode ser uma boa parceira para um tutorial em conjunto, um pacote ou uma menção mútua.
- Freelancers e agências. Quem atende seus usuários todos os dias pode recomendar você para muitos deles de uma vez.
Ciclos de indicação que combinam com um produto pequeno
As indicações funcionam melhor quando compartilhar faz parte do uso do produto, e não quando são uma campanha colada por cima.
- Resultados compartilháveis. Se os usuários criam algo que outras pessoas veem, como uma página pública, um documento compartilhado ou um relatório, isso pode levar um pequeno link de volta para você. Deixe os usuários desativarem esse link.
- Colaboração. Convidar um colega de equipe ou um cliente para trabalhar junto traz novos usuários naturalmente.
- Recompensas para os dois lados. Quem convida e quem é convidado ganham algo, como créditos extras ou um mês grátis.
- Simplesmente peça. Quando alguém disser que gosta do produto, pergunte se conhece uma pessoa que o acharia útil.
As mecânicas de indicação só amplificam o que já existe. Se os primeiros usuários não estão obtendo valor real, resolva isso primeiro.
Meça a ativação, não os cadastros
Cadastros são fáceis de contar e fáceis de interpretar mal. O que importa é quantas pessoas chegaram ao ponto em que o produto fez algo útil para elas.
- Defina seu evento de ativação. O primeiro momento de valor real: a primeira fatura enviada, o primeiro relatório gerado, o primeiro projeto publicado.
- Acompanhe três números toda semana: novos cadastros, quantos deles foram ativados e quantos voltaram na semana seguinte.
- Registre de onde veio cada usuário. Adicione parâmetros UTM aos seus links e pergunte “Como você ficou sabendo da gente?” no cadastro.
- Converse com quem não ativou. Um e-mail curto e simpático perguntando o que impediu a pessoa costuma revelar o maior problema do seu onboarding.
- Compare os canais. Um canal que traz menos cadastros, mas mais usuários ativados, é o melhor canal.
Para os seus primeiros 100 usuários, uma planilha basta. Os dashboards podem esperar até você ter mais dados do que consegue ler de uma só vez.
Um plano de seis semanas para seus primeiros 100 usuários
Aqui está um plano aproximado que cabe nas noites e nos fins de semana:
- Semana 1: escreva a definição do seu usuário em uma frase, liste 20 lugares onde esses usuários conversam, defina a ativação e configure o rastreamento.
- Semana 2: tenha de 20 a 30 conversas reais por meio de respostas públicas e mensagens pessoais, e faça à mão o onboarding de cada novo usuário.
- Semana 3: corrija os três maiores problemas que você viu e publique dois conteúdos que respondam a perguntas comuns.
- Semana 4: lance em uma plataforma e nas comunidades que permitem isso.
- Semana 5: cadastre o produto em diretórios, entre em contato com possíveis parceiros e comece a pedir indicações de forma simples.
- Semana 6: analise a ativação por canal e dedique a maior parte do seu tempo aos dois canais que funcionam melhor.
Os números são metas de esforço, não previsões. Alguns produtos chegam a 100 usuários ativos nesse período; outros precisam de várias rodadas. Se você construiu rápido com ferramentas de IA e o produto ainda parece frágil, nosso guia de vibe coding mostra como estabilizá-lo antes de convidar mais gente.
Principais conclusões
- Os primeiros 100 usuários vêm de muitos passos pequenos e manuais, não de um único truque.
- Defina um usuário restrito e depois encontre os lugares onde essas pessoas já conversam.
- A abordagem funciona quando é pessoal, relevante e honesta sobre quem você é.
- Lançamentos, conteúdo, parcerias e indicações ampliam o alcance, mas só depois que o produto funciona para os primeiros usuários.
- Conte os usuários ativados e de onde eles vieram, não os cadastros.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para conseguir os primeiros 100 usuários?
Varia muito conforme o produto, o público e o tempo que você dedica. Para um projeto paralelo feito em meio período, algo entre algumas semanas e alguns meses é comum. Uma abordagem consistente e correções rápidas costumam importar mais do que a data de lançamento.
Devo pagar por anúncios para conseguir meus primeiros usuários?
Normalmente não, pelo menos bem no começo. Anúncios podem trazer visitantes, mas, até você saber quem são seus melhores usuários e o que os leva a ativar, é difícil segmentar os anúncios ou avaliar os resultados. Converse primeiro com os usuários e depois teste uma verba pequena, quando souber como é um bom usuário.
Tudo bem oferecer o produto de graça para os primeiros usuários?
Sim. Acesso gratuito ou com desconto em troca de feedback é comum e justo. Deixe claro quanto tempo isso dura e o que acontece depois e, se você pretende cobrar, pergunte aos primeiros usuários se eles pagariam e tente converter alguns assim que fizer sentido.
O que conta como usuário: um cadastro ou um usuário ativo?
Para tomar decisões, conte usuários ativos: pessoas que chegaram ao seu evento de ativação e, de preferência, voltaram. Cadastros são úteis como número do topo do funil, mas podem crescer enquanto o produto está fracassando. Escolha sua definição uma vez e use-a de forma consistente.
E se ninguém responder à minha abordagem?
Verifique três coisas: se você está contatando pessoas que descreveram claramente o problema, se sua mensagem é curta e específica e se o seu pedido é pequeno. Se as respostas continuarem não vindo, talvez o problema seja menos doloroso do que você pensava, e mais algumas conversas podem levar você a uma versão mais precisa dele.



